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Poder Verde

Um cipó conhecido como mariri; as folhas são de chacrona. Esmagado por homens e mulheres, o cipó vai liberar sua poderosa química na hora da fervura. O cipó representa a força, as folhas representam a luz. A união desses dois vegetais deu origem a uma doutrina que tem seguidores em todo o Brasil.
 
Eles se reúnem em torno do chá ayuahasca, que teve origem no tempo dos incas. Quem bebe diz que é um remédio para os males do corpo e do espírito. O cozimento é acompanhado pelos seguidores da doutrina.
 
Samara começou a tomar o chá ainda criança. “Desde os 9 anos de idade nós já éramos tratadas com o chá. Às vezes nós estávamos gripados, com febre ou problemas intestinais e os nossos pais nos davam uma colher de chá do vegetal”, conta Samara Cardoso, professora de dança.
 
A biopirataria fez história na Amazônia. No caso da seringueira, sementes brasileiras levadas para a Malásia provocaram o fim do ciclo da borracha. Moradora das margens do Rio Negro, a dona de casa Adalgisa diz que recebe visitas de gente interessada no poder das plantas da região: “Quando eles chegam aqui, perguntam tudo e querem levar”.
 
Em abril deste ano, o governo regulamentou o acesso ao patrimônio genético brasileiro. Mas o país tem fronteiras desprotegidas. Além disso, a exportação de folhas, plantas e madeiras para fins comerciais é permitida. Com os equipamentos de nova geração, um cientista estrangeiro não precisa de muito material para fazer sua pesquisa.
 
Em um livro, a prova do acesso dos pesquisadores de fora a plantas originárias do Brasil. São trabalhos apresentados em um congresso. “Três pesquisadores japoneses trabalham em cima de um composto brasileiro”, revela Suzana Leitão, farmacêutica da UFRJ. Na área de biotecnologia, 97% de todas as patentes registradas no Brasil são de empresas ou inventores estrangeiros.
 
“Claro que existem casos de biopirataria, porém mais preocupante do que esses casos individuais é a falta de pesquisa do lado brasileiro”, alerta o pesquisador do Inca, Charles Clement. E os cientistas brasileiros que pesquisam nesta área raramente protegem o que publicam.
 
A espinheira santa começou a ser pesquisada no Brasil nos anos 80. Mas as duas primeiras patentes, aproveitando a planta como analgésico e contra úlceras, foram registradas no Japão.
 
“Nós obtivemos resultados significativos. Na época, chegamos a publicar alguns trabalhos com os resultados, mas não foi feito nenhum encaminhamento de um possível patenteamento desse resultado”, conta o biólogo da Escola Paulista de Medicina,Ricardo Tabach. Os brasileiros agora correm atrás do prejuízo. Estão testando o comprimido de espinheira santa.
 
No teste com seres humanos, a droga não teve efeitos colaterais. Agora será feito o teste contra úlceras, que já deu resultado em animais. “As úlceras não sumiram, mas elas tiveram índice de redução ao redor de 60% comparando com o animal que não foi tratado com espinheira santa”, explica Ricardo Tabach.
 

 

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