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Poder Verde

Um mestre nos usos e costumes da vida no mato. Até a jibóia pode virar remédio nas mãos de Seu Estevão. Nada assusta o mateiro que tem 47 anos de experiência na selva. Com ele, o Globo Repórter desembarcou em uma trilha às margens do Rio Negro. É a farmácia natural onde Estevão vem coletar remédios quando a família ou vizinhos precisam.
 
“Esse é um cipó conhecido como escada de jabuti. É para hemorróida e para mulheres que tenham problema de útero”, diz ele. Um outro cipó, que Estevão separa e corta. A água que jorra para matar a sede também seria um remédio.
 
A busca, agora, é por uma árvore rara, difícil de encontrar no meio da floresta. Surge um amapazeiro. Um golpe no tronco e o que seria um látex medicinal escorre como leite. Seu Estevão não fica sem o ‘leite do Amapá’ em casa.
 
Quem freqüenta a mata tem que se defender de muitos inimigos. Inclusive dos mosquitos transmissores de doenças. Uma árvore teria o remédio, um repelente natural. A resina que se acumula no tronco é o Breu, que os índios usavam para iluminar seus caminhos. “Acendemos para espantar onça, mosquito. E é essa fumaça que funciona assim como se fosse um repelente. Aí todo mundo vai embora”, ensina Seu Estevão.
 
No laboratório do Instituto de Pesquisas da Amazônia, em Manaus, o conhecimento popular está sendo testado. Um equipamento retira essência do Breu. Dentro de uma gaiola estão mosquitos que transmitem dengue. Só que eles não estão infectados porque foram criados em laboratório. Será feito um teste com um óleo essencial que foi feito a partir do Breu.
 
No braço direito tem o óleo, o repelente. No braço esquerdo não. Em alguns segundos está clara a diferença. É nítido o ataque dos insetos no braço esquerdo. No momento do teste não tem nenhum mosquito pousado no braço onde tem o repelente. Foi a primeira vez que o material foi testado. E muito promissor.
 
Mãos experientes para lidar com as ervas. Gente que já viveu na floresta usando plantas como remédio. Geni é índia mundurucu. Formada em bioquímica, comanda o resgate do conhecimento de seus ancestrais. Eles sempre buscaram a cura no meio do mato.
 
A língua de um peixe nobre da Amazônia serve para que o pajé prepare o que seria um composto afrodisíaco. Uma receita dos índios que aproveita plantas e animais. É um mirantã que está sendo ralado. O guaraná já veio ralado. O pênis da anta se queima para dar mais força.
 
De onde vem o poder das folhas, das raízes, das resinas e fungos? Como surgiram na natureza as substâncias que o homem tenta usar como remédio ? Eles parecem não ter importância na hierarquia da floresta. Mas dos fungos nasceu uma revolução na medicina. No Brasil, são cerca de 13 mil espécies.
 

 

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