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AMAZÔNIA: celeiro de remédios naturais
Poder Verde

Uma nova forma de riqueza - no cerrado, na Mata Atlântica, na Floresta Amazônica - a seiva das árvores, o veneno das plantas, a química dos insetos, as substâncias que lá sustentam e destroem a vida podem ajudar a salvar seres humanos?
 
As novas expedições pela Amazônia não vão atrás das grandes árvores e predadores da região. Buscam moléculas naquela imensidão. Partículas que poderiam curar a Aids e o câncer estariam escondidas por lá? No Brasil estão 23% de todas as espécies conhecidas no mundo. Há centenas, talvez milhares, que nem foram catalogadas pelo homem.
 
Uma equipe de cientistas brasileiros já recolheu mais de 1,2 mil amostras de plantas e árvores. De lá, elas são levadas para testes em laboratório. Um barco-escola navega pelas águas da Amazônia atrás de remédios que possam combater de poderosas bactérias a tumores do câncer.
 
Há seis anos o doutor Dráuzio Varella comanda a equipe que vasculha as margens do Rio Negro em busca de plantas medicinais. “A gente colhe tudo o que alguém diz que serve pra alguma coisa”, diz o doutor Dráuzio Varella.
 
A expedição avança mato adentro e pára diante de uma árvore que também será testada no combate ao câncer. “Essa família da vinca tem uns alcalóides que têm ação antitumoral, principalmente contra linfoma, leucemias. Já está comprovado, de uso prático”, revela o cancerologista. Os frutos são conhecidos como pepino bravo. Quem sabe não está neles a cura para outras doenças?
 
A ciência percorre trilhas abertas pela experiência dos povos da Amazônia. O mundo está de olho nas folhas e madeiras que teriam poder de remédio. O dono de um armazém exporta plantas para os Estados Unidos, a Europa e o Japão. “A procura é muito grande fora do país. Tem muita gente vendendo gato por lebre”, afirma o comerciante Antônio Celso Ussi.
 
Um óleo tão difícil de extrair, que muitas vezes é misturado ao diesel para render mais, na Amazônia, é remédio popular. Levado ao laboratório, a copaíba mostrou atividade em tubos de ensaio. “Temos indicações de que realmente ela tenha atividade anti-inflamatória, atividade cicatrizante, até atividade repelente”, diz Gislaine Pereira, farmacêutica da Fiocruz.
 

 

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