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O
FANTÁSTICO MUNDO DAS SERPENTES
Luigi Leonardo Mazzucco Albano
Dependendo
da região do mundo em que estamos, temos duas
reações típicas frente às serpentes: adoração
ou ódio. A adoração vem, na maioria das vezes,
acompanhada por explicações religiosas. O ódio
também vem acompanhado, mas pela falta de informação
frente a estes seres.
A imagem que
carregamos das cobras é de que são seres perigosos,
que só oferecem risco aos seres humanos, e que
devem ser mortas. Não é bem assim. Para começarmos,
vamos diferenciar os termos mais comumente utilizados
por todos: cobra e serpente. Ambos os termos são
aceitos pelo dicionário, mas o termo serpente
é o mais correto.
O termo "cobra"
é utilizado apenas para um tipo de serpente, as
Najas da África e Ásia. Da mesma forma que os
portugueses, na época do "descobrimento", atribuíram
o nome de "índios" aos nativos aqui encontrados,
pois acreditavam ter chegado à Índia, também atribuíram
o nome de "cobra" às serpentes, acreditando se
tratar das verdadeiras cobras (Naja da Índia).
Aqui no Brasil não
é errado utilizar o termo "cobra", porém, no resto
do mundo, é recomendável utilizar o termo "serpente",
para evitar qualquer desentendimento.
Classificação
geral das serpentes
As serpentes
estão assim classificadas:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Subordem: Ophidia
Família: várias
Gênero: vários
Espécie: várias
Dentre
as principais famílias, podemos citar:
Boidæ:
são as pítons, jibóias etc., que estão entre as
maiores serpentes do mundo, onde uma espécie,
a Piton reticulatus chega a 10m de comprimento
(podendo ser maior); a jibóia ( Boa constrictor
amarali, por exemplo) chega a 4m de comprimento.São
cosmopolitas, só não habitando a Nova Zelândia.
Colubridæ:
são as cobras mais comumente conhecidas. Reúnem
cerca de 1 500 espécies. Nesta família conhecemos
uma grande diversidade de hábitats, modos de reprodução,
alimentação etc.. São exemplos: falsa-coral (Oxyrhopus
sp.), cobra-cipó, muçurana, caninana etc..
Elapidæ:
corais verdadeiras (Micrurus sp.) e Najas são
exemplos, algumas com veneno perigoso ao homem.
São cosmopolitas, com exceção do norte da América
do Norte e da Eurásia.
Viperidæ:
Dentro desta família, temos duas subfamílias com
representantes importantes. Uma delas, a Viperinæ,
são as víboras, das serpentes conhecidas as mais
temidas, pois a maioria possui venenos bem potentes.
Vivem na Eurásia, África e Índia. Como exemplo,
a víbora, Vipera sp. e Cerastes cerastes, a víbora
de chifre;
a outra subfamília,
Crotalinæ, envolve espécies por nós bem
conhecidas, como as cascavéis, surucucu etc.,
também produtoras de potentes venenos.
Biologia
geral dos répteis
Vamos
dar uma estudada nas características gerais dos
répteis para podermos, mais adiante, nos determos
especificamente nas serpentes. Os répteis (lat.
reptum, rastejar) incluem as cobras, lagartos,
tartarugas, jabutis e tuataras.
O corpo é
coberto com pele seca e cornificada, ou seja,
com formação de um extrato córneo, duro, resistente,
geralmente com escamas ou escudos, e poucas glândulas
superficiais. Com exceção de cobras e lagartos
ápodos (sem patas), possuem quatro membros, cada
um com 5 dedos, adaptados em cada espécie para
um determinado hábitat. O esqueleto é completamente
ossificado.
Respiram
por pulmões, sendo que algumas tartarugas têm
respiração faríngea e/ou cloacal. São ectotérmicos,
ou seja, a temperatura de seu corpo é variável.
A fecundação é interna, e podem ser ovíparos ou
vivíparos.
Os répteis
foram o primeiro grupo de vertebrados a se adaptar
à vida em lugares secos e no ambiente terrestre,
pois sua pele oferece maior resistência à perda
de água para o meio e seus ovos também estão mais
protegidos contra a desidratação (casca mais grossa
e resistente), dentre vários outros motivos.
As
serpentes
Sorrateiramente,
a formidável jibóia de 20 metros desliza entre
os galhos de uma árvore e, de repente, sem dar
à indefesa vítima oportunidade alguma de reação,
salta sobre o homem e o devora de uma só vez.
Histórias como essa povoam os relatos de alguns
dos exploradores que, no século passado, internaram-se
na selva amazônica buscando desvendar os mistérios
da flora e da fauna da região.
Houve até
um deles, um missionário europeu, que, iludido
por uma observação feita a grande distância, jurou
ter visto uma jibóia com nada menos que 50 metros!
Hoje se sabe que as maiores serpentes raramente
ultrapassam 10 metros (registros oficiais) e que
há pouquíssimos registros de ataques a seres humanos.
E sabe-se
muito mais sobre os hábitos dos milhares de espécimes
de ofídios espalhados por praticamente todo o
Planeta. Contudo, a imaginação popular continua
envolvendo as serpentes num manto de fantasias:
maldosas, astutas, traiçoeiras, elas seriam inimigas
naturais do ser humano.
Enfim, uma
autêntica praga que precisa ser eliminada da face
da Terra. Grave engano. Ao matá-las indiscriminadamente,
o homem contribui para alterar importante elo
na cadeia ecológica, como veremos adiante.
Perda das
extremidades pares e alongamento do corpo ocorreu,
como um desenvolvimento paralelo, em diversos
grupos de vertebrados, incluindo as enguias e
moréias entre os peixes, as cobras-cegas entre
os anfíbios, os Amphisbænidæ entre outros lagartos,
além de todas as cobras. O corpo das serpentes
é coberto por escamas, sendo que em algumas, há
na parte inferior do corpo uma grande fileira
de escamas grandes, chamadas placas transversais.
A
língua é estreita, flexível, semelhante a uma
fita, com extremidade bífida, que serve para captar
"cheiros" diversos. A língua oscila no ambiente
e capta vários feromônios. Quando ela é retraída,
suas pontas entram em duas pequenas cavidades
no palato ("céu da boca"), chamadas de "órgão
de Jacobson", onde, neste órgão, há terminações
nervosas que decodificam esses feromônios. Todos
os órgãos são tubulares, compridos, acompanhando
a geometria do corpo. Somente o pulmão direito
é funcional. Em serpentes longas existem de 200
a 400 vértebras. Há uma complexa ligação entre
músculos, vértebras, costelas, e pele, arranjo
este que tornam possíveis os graciosos movimentos
sinuosos de uma serpente.
Há quatro
tipos de movimentos nas serpentes: 1 - locomoção
ondulatória horizontal: locomoção característica
de serpentes rápidas, caracterizada pela formação
de um S pelo corpo do animal. Há vários pontos
de atrito com o solo, este geralmente irregular;
2 - locomoção retilínea: característica de serpentes
lentas. O atrito de todo o ventre do animal com
o solo é essencial; 3 - locomoção em sanfona:
envolve a extensão e a retração do corpo de um
ou mais pontos de atrito com o solo. Pode ser
usada em uma superfície achatada, ao rastejar
através de um túnel ou trepar; 4 - locomoção por
meio de alças laterais: é uma forma de locomoção
encontrada em diversas víboras africanas e do
oeste da Ásia e na cascavel norte americana (Crotalus
cerastes).
Este tipo
de locomoção é uma adaptação para a movimentação
rápida sobre superfícies lisas sem obstáculos,
como areia ou terra muito dura. Esta locomoção
é uma forma modificada da locomoção ondulatória
horizontal. A serpente deixa seu corpo em forma
de S, e alterna os pontos de contato com o solo
dois a dois, impulsionando-se para o lado. A velocidade
atingida por estas serpentes é significativa,
principalmente para fugir de predadores.
Venenosa
ou peçonhenta?
As pessoas
costumam errar bastante quanto a estes conceitos.
Se considerarmos que a saliva das serpentes é
adaptada para dissolver proteína
(carne, por exemplo), podemos considerar que todas
as serpentes são venenosas, isto porque entendemos
como veneno uma substância capaz de fazer mal
a algum ser.
A saliva das
serpentes nos é prejudicial, por isso as consideramos
venenosas para os seres humanos. Mas, qual o limite
de ação do veneno? É aí que entra o conceito de
"peçonhenta": um animal peçonhento é aquele que
possui um veneno com uma concentração muito elevada,
capaz de causar grandes danos a um outro ser,
sendo este animal capaz de injetar este veneno
através de dentes ou ferrões, geralmente conhecidos
por peçonhas. Ou seja, aquelas serpentes que possuem
dentes inoculadores de veneno são chamadas peçonhentas.
As que não
possuem estes dentes, são chamadas não peçonhentas.
Jibóias, corais falsas, muçuranas, sucuris entre
muitas outras são venenosas: caso uma destas serpentes
morda uma pessoa, o máximo que acontecerá é uma
inflamação local e prurido intenso. Surucucus,
cascavéis, corais verdadeiras, najas etc. são
peçonhentas: caso uma destas serpentes morda uma
pessoa, esta tem que ser socorrida, pois o veneno
provocará no organismos diversas reações alérgicas,
por vezes muito graves e até mortais.
Serpentes
que vivem em ilhas tendem a ter o veneno mais
concentrado do que as que vivem no continente.
O veneno nada mais é do que uma especialização
da saliva, onde esta adquire poder proteolítico
(que quebra proteínas) suficiente para desencadear
diversas reações nos seres vivos. Podem adquirir
várias especialidades, sendo elas: neurotóxico,
que afeta particularmente os centros respiratórios
e a morte sobrevêm por asfixia, se a vítima não
for socorrida a tempo. Naja e corais verdadeiras
são exemplos de portador deste veneno; hemotóxico,
que afeta o aparelho circulatório, podendo ser
hemorrágica (provocando hemorragias) ou hemolíticas
(provocando a destruição dos glóbulos vermelhos).
Cascavéis
e víboras portam este tipo de veneno; miotóxica,
que afeta sensivelmente a musculatura de todo
o corpo. Algumas cascavéis apresentam este tipo
de veneno; coagulante, onde todo o sangue do organismo
começa a coagular. Corais verdadeiras, algumas
cascavéis, surucucus possuem este veneno; proteolítica,
onde há o necrosamento da pele e/ou outros tecidos.
Algumas jararacuçus, jararacas, surucucus são
exemplos de portadoras deste veneno. Diferenciação
entre serpentes peçonhentas e não peçonhentas
Em todos os livros didáticos são apontadas diferenças
clássicas entre serpentes peçonhentas e não peçonhentas.
Mas há um pequeno detalhe: todos estes padrões
foram traçados baseando-se nas víboras africanas.
Em se tratando
de Brasil, ou mesmo em outros Países, podem haver
muitas exceções. Tem-se como padrões clássicos
(visíveis) para serpentes peçonhentas: cabeça
triangular; cauda terminando abruptamente; escamas
ásperas e sem brilho; olhos com pupila em fenda;
fosseta loreal presente. Para serpentes não peçonhentas:
cabeça redonda; cauda com terminação suave; olhos
com pupila redonda; escamas brilhantes e lisas;
sem fosseta loreal. Muitas dessas características
são válidas, mas muitas não aparecem nos animais.
Analisemos
pois duas serpentes que apresentam exceções:
- Coral:
a cobra coral verdadeira é pouco diferenciável
da falsa coral. Somente uma pessoa experiente
saberá distinguir uma da outra só batendo o olho.
A coral verdadeira tem a cabeça redonda, olhos
com pupila redonda, escamas lisas e brilhantes,
não possui fosseta loreal. O padrão de cor, tão
usado como referência, não pode sê-la, pois há
muitas exceções, visto que muitas falsas corais
mimetizam-se com as verdadeiras, buscando proteção
contra predadores (lembremos que as corais verdadeiras
possuem coloração apossemática, ou seja, uma combinação
de cores que alertam os predadores sobre o perigo
daquele animal. A falsa coral, em conseqüência
do mimetismo, acaba tendo uma coloração pseudo-apossemática).
- Jibóia:
a jibóia é uma serpente não peçonhenta, apesar
de possuir cabeça triangular, olhos com pupilas
em forma de fenda, escamas relativamente opacas,
cauda com terminação abrupta. Vemos, então, que
devemos ter cautela ao nos basearmos nesses padrões
"clássicos".
O
crânio das serpentes e seus órgãos mais significativos
As serpentes
possuem um crânio bem articulável, onde os ossos,
em sua maioria, são independentes e interligados
por músculos. Esta característica faz com que
consigam se alimentar de presas com diâmetro maior
que seu corpo: os ossos do crânio adquirem uma
anatomia que permite à serpente engolir presas
grandes, e seus órgãos internos, assim como sua
pele, possuem boa flexibilidade. Os dentes são
voltados para trás, o que permite à serpente segurar
sua presa enquanto engole.
As serpentes
nunca mastigam ou dilaceram seu alimento, sempre
engolindo-o inteiro.
Dentição
- Existem
quatro tipos de dentição nas serpentes, a saber:

. áglifa
(a = ausência + glyphé = sulco) - dentição típica
de serpentes não peçonhentas: não possuem presas.
Seus dentes são maciços, sem canal central ou
sulco externo. Jaracuçu-do-brejo, caninana, jibóia,
sucuri, pítons etc. são exemplos de serpentes
áglifas.
. opistóglifas
(opisthos = atrás) - apresentam um ou dois pares
de dentes posteriores do maxilar superior diferenciados,
com sulco externo por onde escorre o veneno. Pela
posição posterior das presas, raramente causam
acidentes, sendo que podemos considerar estas
serpentes como não peçonhentas, pois acidentes
com elas são raríssimos. Falsas corais e muçuranas
são exemplos.
. proteróglifas
(protero = dianteiro) - possuem presas anteriores
sulcadas, em maxilares imóveis, o que lhes permite
inocular o veneno. A coral verdadeira, serpentes
marinhas, najas, são exemplos de serpente com
esta dentição.
. solenóglifas
(soleno = canal) - possuem presas anteriores dotadas
de um canal central por onde passa o veneno, estando
em um maxilar bem móvel. Cascavel, jararaca, urutu
e surucucu são exemplos de serpentes solenóglifas.
As serpentes áglifas, opistóglifas e proteróglifas
mordem suas presas; as solenóglifas picam. Melhor
explicando: as serpentes áglifas e proteróglifas
tem como único método de matar suas presas a asfixia.
Elas mordem
e se enrolam, praticamente com o corpo todo, na
presa. Quando esta morre, a serpente começa a
engolir, sempre pela cabeça. As serpentes solenóglifas
dão um bote certeiro na presa, inoculam o veneno
e esperam que esta morra; mesmo que a "vítima"
conseguir se locomover, a serpente a localiza
com auxílio de suas "fossetas loreais". Ao localizarem
a presa, começam a engoli-la, também pela cabeça.
As
"fossetas loreais"
As serpentes
pertencentes à subfamília Crotalinae possuem em
ambos os lados da cabeça, entre
as narinas e os olhos, duas depressões em forma
de fossa, denominadas fosseta loreal. Este órgão
tem comunicação com o cérebro e sua principal
função é a detecção de calor. As serpentes que
possuem este órgão são portadoras de dentição
solenóglifa, portanto picam sua presa. Em poucos
minutos esta presa está morta, e a serpente começa
a rastreá-la, então, pelo calor que seu corpo
emana. Uma serpente consegue rastrear um
camundongo a vários metros de distância, tamanha
a especialização das fossetas loreais.
Audição
As serpentes
não possuem ouvido externo, tímpano e cavidade
do ouvido médio, mas a columela, que transmite
os sons, está presente e se estende até um ouvido
interno. A audição torna-se, então, muito rudimentar
(capta de 100Hz a 170Hz) e não significativa.
Mas são capazes de perceber, eficazmente, as vibrações
do solo, fugindo do caminho de um animal muito
antes que ele chegue aonde a serpente se encontra.
O
processo de muda
Processo crítico
na vida das serpentes, toda a camada córnea do
tegumento (pele) é renovada, surgindo uma pele
nova, lisa, brilhante, bem colorida. A muda sai
como uma tripa virada do avesso. Há desbotamento
na coloração e turvação córnea dificultando, mais
ainda, para a serpente vislumbrar a presa.
A muda, quando
o animal está em perfeito estado de saúde, inicia-se
pela cabeça, seguindo-se o corpo todo com rugas
e pregas e a serpente precisa ir à procura de
um toco, pedra etc. para se esfregar até que a
pele velha se desprenda totalmente. Durante o
período de muda a serpente não se alimenta e prefere
ficar quase imóvel; após a muda ela volta à atividade.
Os fatores que facilitam ou não as mudas prendem-se
à alimentação, clima, excitação, cuidados higiênicos
em cativeiro etc.. o recomendável é que não se
manipule o animal durante o processo de muda,
e que se mantenha o terrário úmido (pode umedecer
o terrário com os borrifadores de planta), podendo,
inclusive, umedecer o animal uma vez por dia (o
que facilita o processo de muda).
Alimentação
na Natureza e Ecologia das serpentes
Ao
contrário do que muitos pensam, as serpentes não
se alimentam exclusivamente de mamíferos. Algumas
se alimentam de insetos e outros pequenos invertebrados;
serpentes de maior tamanho alimentam-se com peixes
ou mamíferos; algumas, como a muçurana (não peçonhenta),
alimentam-se de outras serpentes peçonhentas;
por outro lado, corais verdadeiras podem se alimentar
de falsas corais. Muitas serpentes alimentam-se
de moluscos. As serpentes ocupam um lugar importante
na teia alimentar de cada ecossistema. Aquelas
que vivem, por exemplo, nos desertos dos Estados
Unidos, são úteis pois se alimentam de roedores,
impedindo uma possível explosão populacional destes.
No Brasil,
podemos dar destaque à muçurana, que se alimenta
exclusivamente de serpentes peçonhentas. Como
as serpentes não são o alvo favorito de estudo
da maioria das pessoas, muitas vezes esse animal
é morto sem a menor necessidade. As pessoas que
moram em campos,
fazendas, sítios etc., quando não conhecem o animal,
tem logo o costume de matá-lo, mesmo que este
não esteja perto da residência e/ou oferecendo
risco à alguma pessoa. A recomendação que se faz,
portanto, é que a pessoa procure se informar quais
os animais e vegetais que residem naquele lugar,
e se informar quais animais são peçonhentos.
Conhecendo-os
bem, com certeza a residência estará protegida
e o animal seguro. Por quê? Simplesmente porque
o animal que não for peçonhento não será morto,
e caso algum seja encontrado dentro ou nas proximidades
da residência, simplesmente uma pessoa com experiência
removê-lo-á para o meio da mata; se for um animal
peçonhento e estiver nas proximidades da residência,
chama-se o Corpo de Bombeiros para realizar a
remoção do animal; caso aquele seja inacessível,
basta recorrer também a uma pessoa experiente,
que esteja devidamente protegida (botas altas
e grossas, luvas e laço).
Caso o animal
se encontre dentro da residência e este for peçonhento,
recomenda-se então, caso não tenha outro jeito,
o abate. Reconhecer a vegetação do lugar também
é importante, por dois motivos: para não consumirmos
um vegetal venenoso; e para sabermos se aquele
tipo de vegetação costuma ser abrigo de determinada
espécie de serpente.
Não só as
serpente, mas todos os animais, inclusive o homem,
e todos os vegetais, fazem parte de uma grande
e complexa teia alimentar, onde a falta de um
certamente causará a superpopulação de outro,
que por sua vez causará a diminuição de outra
espécie... desequilibrando todas as cadeias e,
conseqüentemente, a teia.
Um exemplo
bem simples: considere a seguinte cadeia alimentar:

Analisemos
a primeira cadeia: se o número de serpentes tiver
uma significativa diminuição, o número de águias
também irá diminuir, pois ficará sem alimento;
em contrapartida, o número de aves aumentará,
pois não terá serpentes suficientes para manter
um número equilibrado de aves. Por outro lado,
diminuirá drasticamente o número de gafanhotos,
pois mais aves estarão se alimentando deles, tendo
como última conseqüência um aumento exacerbado
da vegetação. Analise você a segunda cadeia e
trace as conseqüências obtidas com a diminuição
do número de serpentes.
Moral da
história: RESPEITE a Natureza:
tudo o que ela pede é que a deixemos realizar
suas tarefas para que mantenha um equilíbrio saudável
para que possamos viver e conviver em harmonia.
Claro que se você tiver correndo risco é preferível
abater o animal, mas só neste caso. Do contrário,
deixe-o na Natureza para que cumpra seu papel.
Serpentes
como animais de estimação
Muitas
pessoas estão aderindo à moda de ter em casa "pets"
diferentes, "exóticos": iguanas, ferrets, aranhas...
serpentes. Uma coisa
deve ficar bem clara: serpentes não são parecidas
com gatos ou cachorros, que podemos colocar coleira
para passear e que vão ficar pedindo colo toda
hora. Répteis não possuem uma demonstração expressiva
de afeto pelo dono; o que fazem é respeitá-lo,
pois sabem que é ele que fornece alimento, e sabem
que não lhes farão mal, deixando-se manipular.
Não podemos ensinar para uma serpente o que fazemos
com um cão: podemos ensinar ao cão que não deve
rosnar para o dono caso este retire sua ração
enquanto aquele estiver comendo.
Com a serpente
não dá: quando a alimentamos, qualquer coisa que
se movimente perto dela é presa em potencial,
e ela atacará. Quando a serpente estiver muito
agitada, convém não manipulá-la, pois corremos
o risco de levar uma mordida... e ela não vai
saber que fez coisa errada. Enfim, estes animais
são mais de exposição: devem estar num terrário
bonito, vistoso, onde o animal complete a beleza
do terrário. Sua manipulação deve ser a mínima
necessária. Com o tempo, a serpente vai se habituando
ao dono, e sua manipulação poderá ser gradativamente
aumentada. As serpentes mais comuns de seres adotadas
como "pets" no Brasil são as pítons, as jibóias
e as falsas corais (lembremos que, atualmente,
o IBAMA proíbe a comercialização tanto de serpentes
silvestres como de exóticas), por possuírem um
bom caráter, serem calmas e de grande beleza.
Ao contrário do que muitos pensam, as serpentes
alcançam uma vida relativamente longa. A jibóia,
por exemplo, pode chegar a 24 anos, se bem cuidada.
Portanto, pense bem antes de escolher este animal
como "pet", pois ele conviverá muitos anos com
você.
O terrário
Montar um
terrário para uma serpente não é tarefa difícil,
mas dispendiosa: são animais sensíveis e que exigem
certas condições ambientais para que se mantenham
saudáveis. São necessários os seguintes materiais:
· cuba de
vidro
· tampa adequada para terrário
· lâmpada adequada para serpentes
· substrato
· bebedouro
· materiais para decoração
· fonte de aquecimento
Cuba de
vidro
As maneiras
e materiais para a confecção de um terrário variam
muito.Dá-se a seguir
um modelo bem simples, que pode ser deixado em
uma sala de visitas, para exposição, por exemplo.
O terrário mais prático é aquele feito em uma
cuba de vidro, idêntica àquelas usadas na montagem
de aquários. É importante que consideremos o tamanho
do animal quando adulto, para que não precisemos
trocar periodicamente um terrário. Para duas falsas
corais, por exemplo, um terrário com 100 x 40
x 50 está de bom tamanho. A espessura do vidro
do terrário não precisa ser a mesma da recomendada
para aquários: como não terá que suportar grandes
pressões, podemos confeccionar a cuba com vidros
cerca de 20% mais finos. Também
não é necessária a trava, caso a cuba seja até
médio porte (como o tamanho citado acima).
Tampa adequada
para terrário
Temos várias
possibilidades neste quisito. Mas uma coisa é
importante: a cuba deve estar muito bem tampada,
pois muitas serpentes conseguem escalar pelo silicone
que unem os vidros! As frestas precisam estar
bem tampadas. Para a iluminação podemos colocar
um tampo igual ao utilizado em aquário, mas temos
que tomar cuidado para deixarmos uma boa ventilação.
Um tampo ideal pode ser um com armação de madeira
e tela por cima, e para iluminação, uma calha
das usadas em aquarismo: a tela proporciona boa
iluminação e ventilação, ao mesmo tempo que a
cuba fica bem vedada.
Lâmpada
adequada para serpentes
As serpentes
não são répteis que necessitem de uma iluminação
muito exigente.Seria
interessante que o terrário se localizasse onde
houvesse uma incidência de raios solares matutinos,
até 10h00. Sabemos que o vidro filtra grande parte
dos raios UV-A e UV-B, mas sempre um pouco acaba
passando. Como iluminação artificial, podemos
recomendar uma lâmpada "Reptile day light" fluorescente,
que possui todos os raios UV-A e UV-B necessários
aos répteis, mas que custa caro. A lâmpada gro-lux
e as similares, utilizadas em aquarismo, são mais
acessíveis e oferecem traços dos raios UV-A e
UV-B, e é o suficiente.
Substrato
Podemos colocar
vários substratos: jornal, areia de construção,
cascalho de rio, terra vegetal, sphagnum (espécie
de musgo), "litter" (forragens absorventes de
cactus ou cascas de árvores reabsorvíveis), carpetes
sintéticos (próprios para terrários). Na hora
da montagem do terrário é necessário saber que
animal se pretende criar, e procurar colocar o
substrato mais conveniente para este animal.De
um modo geral, o carpete sintético é um bom material.
Tira um pouco o "ar natural" do terrário, mas
é muito prático e econômico, já que é lavável.
Bebedouro
Precisa ser
um recipiente, preferencialmente, de plástico
(recipientes de porcelana ou barro podem acumular
muitas bactérias), raso e largo. Geralmente os
animais defecam na água. Esta precisa ser trocada
todo dia.
Materiais
de decoração
Troncos naturais
ou artificiais, plantas naturais, rochas. A gama
de materiais fica por conta da criatividade da
pessoa. Só não coloque rochas com arestas cortantes.
Fonte de
aquecimento
É essencial
que o animal conte com uma fonte de aquecimento.
Não é recomendável colocar uma fonte que aqueça
o terrário por inteiro, como por exemplo uma lâmpada
incandescente. O animal regula sua necessidade
de calor e frio, procurando zonas quentes e frias
dentro do terrário.O
material mais recomendável é uma rocha aquecida,
ficando o animal em cima dela quando quiser se
aquecer e saindo dela quando já tiver calor suficiente.
Alimentação
em cativeiro
Geralmente
as serpentes que são criadas como "pets" são aquelas
que se alimentam de mamíferos. Jibóias, pítons,
falsas corais etc. se alimentam de ratos, preás
camundongos. A alimentação constância na alimentação
vai variando com vários fatores: - clima: no inverno
as serpentes se alimentam menos, mesmo possuindo
a fonte de aquecimento no terrário (elas sentem
a época do ano, e além do mais a temperatura do
terrário vai estar mais baixa). - tamanho: conforme
o tamanho do animal, temos duas saídas: ou alimentamos
mais vezes, ou damos mais comida em cada refeição.
- muda: as serpentes dificilmente se alimentam
durante a época de muda. - stress: um animal estressado
dificilmente se alimentará. Para uma falsa coral
com aproximadamente 70cm de comprimento, podemos
ministrar dois camundongos a cada 20 dias, por
exemplo, na época fria do ano, e a cada 10 dias,
na época quente. Para um filhote de jibóia ou
píton com 40cm de comprimento, dois neonatos por
semana.
Há no mercado
especializado diversos complementos alimentares
que podem, por exemplo, serem borrifados na comida,
ou que possamos ministrar ao rato antes de darmos
à serpente. É bom fornecermos estes complementos,
caso a alimentação do roedor seja muito empobrecida.
Temos que conhecer o animal que criamos, saber
seus costumes. Um método fácil de verifica se
o animal está com fome: o normal de uma serpente
é ela ficar quieta em um canto do terrário. Quando
ela começa a "passear", é uma evidência que está
procurando comida. É esta a hora de alimentá-la
novamente. Como são animais ectotérmicos, sua
fome vai variar conforme variar a temperatura
do ambiente: mais calor, fome mais cedo; mais
frio, mais demora em sentir fome.
Considerações
finais É evidente
que este artigo está por demais singelo frente
ao conteúdo que deveria ter. Mas isto é proposital.
Nossa intenção é que você conheça, pelo menos,
uma ínfima parte do mundo das serpentes. Não é
nossa intenção fazê-lo gostar desses animais,
mas pelo menos conhecê-lo e, com isso, respeitá-lo.
A Herpetologia é um campo muito amplo e que merece
ampla discussão. Frente a isso, dispomo-nos a
resolver quaisquer dúvidas e trocarmos conhecimentos,
necessários à perpetuação de toda a fauna do Planeta.
Luigi Leonardo
Mazzucco Albano Aquarismo:
dulcícula e marinho; comportamento de peixes em
cativeiro;
Cinofilia e Gatofilia; agapornis - São Carlos
- SP
Artigo extraído
do site http://www.saudeanimal.com.br/serpentes.htm
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