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EXPLORAÇÃO
ILEGAL DE MADEIRA:
Desde que se desencadeou o processo
maciço de depredação da região amazônica para exploração de madeira,
no início da década de 80, acompanhamos de perto tal processo por estarmos,
desde então, ironicamente inseridos nesta região-foco da exploração,
quer seja, nos territórios indígenas. A escandalosa depredação iniciada pela Madeireira Sebba, na região de Gorotire na década de 80 quando se retirou, em pouco menos de um ano, mais de 30.000 metros cúbicos de mogno do território kayapó, deu início ao descaso, abuso e desrespeito às leis ambientais e penais. Aos poucos, os índios foram sendo ludibriados, seduzidos a participarem deste processo e o que se viu e ainda se vê, é profundamente deprimente, angustiante e revoltante para aqueles que, desde aquele período, lutavam contra e temiam pelos resultados futuros para as comunidades que se envolvessem com tais atividades. Quantos servidores não foram, em alguns momentos, hostilizados pelos índios, acusados injustamente de estarem sendo beneficiados, e quantos outros, sem alternativas, pois se tornavam reféns de índios e madeireiros, lucraram vergonhosamente com tal situação? Os anos se passaram e a situação em nada mudou. Os criminosos, muito embora a edição de centenas de leis ambientais, continuam impunes e a corromper, destruir, não importa se um indivíduo ou uma comunidade inteira. A cobiça é a palavra de ordem. Na região de Altamira, este processo demorou um pouco para ocorrer. Diminuídas a potencialidade madeireira na região de Redenção, as madeireiras iniciaram um deslocamento para as áreas próximas a São Félix do Xingu e Tucumã e daí até as reservas Apyterewa e Trincheira/Bakajá. Isto ocorreu no início dos anos 90. Na terra indígena Apyterewa, iniciou-se um pouco antes, por volta de 1.988. A administração da FUNAI em Altamira iniciou, a partir de 1.992, uma aproximação maior com a Procuradoria da República visando obter resultados mais efetivos no combate a esta exploração de madeira nas terras indígenas sob sua jurisdição. Não obstante tal parceria, culminando com o indiciamento de inúmeros madeireiros, na prática, os resultados mostraram-se pífios, considerando que até a presente data, nenhum madeireiro se encontra preso. A impunidade é tamanha que as mesmas pessoas continuam a roubar madeira destas terras indígenas, numa afronta desmedida aos poderes constituídos. No decorrer do ano em curso, várias denúncias foram confirmadas dando conta da continuação da exploração madeireira nestes territórios indígenas. Na terra indígena Apyterewa, este processo nunca paralisou. Parte da comunidade Parakanã está coniventes com os madeireiros. A mesma situação reina na terra indígena Trincheira/Bakajá. Mais recentemente, várias infrações foram registradas na terra indígena Arara. No mês de Fevereiro, indios Kayapó da terra indígena Kararaô, detectaram retirada de madeira e estão negociando com madeireiros. De nossa parte, consideramos como infrutíferas as providências que até o presente, vem sendo adotadas. Na quase totalidade dos casos, nenhum benefício concreto retorna para as comunidades prejudicadas. A madeira que é autuada pelo IBAMA, jamais se reverte em favor dos índios. Exemplo clássico desta situação ocorreu por ocasião da apreensão de 70 toras de mogno da terra indígena Apyterewa em 1.997. A administração investiu cerca de R$ 30.000,00 ( Trinta Mil Reais ) para escoar esta madeira até a cidade de Altamira para ficar sob a guarda do Exército. Passados alguns anos e dependentes de autorizações judiciais para leilão da madeira, nenhum comprador se interessou em comprá-la, em razão de seu apodrecimento quase total. Mais um prejuízo financeiro para os índios e prejuízo moral para a administração da FUNAI em Altamira, para o orgão ambiental local e os demais orgãos que comumente se envolvem em tais questões, como a Procuradoria da República e a Polícia Federal. No mês passado, fomos informados de que cerca de 6.000m3 de mogno estão atracados ao longo do igarapé Bom Jardim, na terra indígena Apyterewa. Os índios estiveram em Altamira, em vôo fretado pelos madeireiros para ameaçar e informarem que o madeireiro conhecido por CECÍLIO DE TAL, de Redenção, disse que de qualquer maneira vai retirar esta madeira e conta com o apoio de alguns índios. Situação simplesmente ridícula! Em suma, sempre prejudicados pela constante falta de recursos financeiros e estrutura de pessoal e equipamento para combater tais irregularidades, assistimos, ano após ano, milhões de reais serem roubados das terras indígenas!
Por outro lado, tal inoperância faz com que alguns índios, induzidos por madeireiros, passem a ameaçar funcionários, como é o caso dos Parakanã e mais recentemente, os Kayapó do Kararaô. Os madeireiros, sentindo-se beneficiados por um sistema que não os pune, agem livremente e se sentem no direito de ameaçar pessoas, além de armarem os índios, fornecerem bebidas alcoólicas e quiçá, drogas. Acreditamos ser este o momento de realmente darmos um basta nesta situação, adotando medidas concretas e eficientes contra tais infratores. Muito embora saibamos dos obstáculos políticos para tal, sentimos na obrigação de, como responsáveis diretos pela preservação cultural e ambiental, exigirmos tais providências. RESUMO DAS INTERFERÊNCIAS REGISTRADAS NAS TERRAS INDÍGENAS SOB JURISDIÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO DE ALTAMIRA
OBSERVAÇÕES: · A madeira retirada da T.I. Apyterewa e que se encontrava sob guarda do 51 BIS foi leiloada, porém não foi encontrado comprador interessado na mesma, em razão de se encontrar bastante deteriorada em quase a totalidade. · No pátio do IBAMA em Altamira, se encontra a madeira apreendida em Abril/99, na T.I. Cachoeira Seca e parte da madeira apreendida na T.I. Arara. Muita madeira ainda se encontra na mata. |