
Os índios do Brasil não são um só povo: são muitos povos, diferentes de nós e diferentes entre si. Cada qual tem usos e costumes próprios, com habilidades, tecnologias, atitudes estéticas, organização social, crenças religiosas e filosóficas peculiares, resultantes de experiências de vida acumuladas e desenvolvidas em milhares de anos. E distinguem-se também de nós e entre si por falarem diferentes línguas. Como todas as demais, as línguas dos povos indígenas do Brasil são inteiramente adequadas à plena expressão individual e social no meio físico e social em que tradicionalmente tem vivido esses povos. Falam-se no Brasil, aproximadamente, 170 línguas indígenas, por aproximadamente 215 grupos tribais.
A categoria índio só se define por oposição ao branco, abrangendo populações muito diferentes entre si, seja do ponto de vista físico, lingüístico ou de costumes. Para tornar compreensível tal diversidade, tenta-se ordená-la através de classificações:
Os índios do Brasil, numa perspectiva biológica, não constituem um todo homogêneo. Mesmo entre os membros de um mesmo grupo tribal, as diferenças podem ser muito grandes, já que as relações entre as tribos, sejam amistosas ou hostis, levam ao intercruzamento sexual.
É comum encontrar pessoas que crêem que todos os índios do Brasil falam a língua Tupi. Essa idéia deve-se à supervalorização da língua e dos índios Tupi diante dos demais indígenas brasileiros. Na verdade, muitas outras línguas são faladas pelos índios do Brasil.
O fato é que os conquistadores portugueses encontraram todo o litoral brasileiro ocupado por índios, entre eles, predominava a língua Tupi. Esta foi a primeira língua nativa que os missionários aprenderam adotando preconceito em relação às demais línguas que não compreendiam, chamando as tribos que as falavam de novos de língua travada. Os índios Tupi contaram ainda comum grande número de cronistas que deixaram muitas informações sobre os seus costumes, o que não aconteceu com outros grupos indígenas.
A primeira classificação das línguas indígenas do Brasil as distribuía em línguas Tupi e Tapuya. Essa classificação vigorou até o século passado, quando Von Martius demonstrou que as línguas Tapuya não formavam um conjunto homogêneo e o termo Tapuya perdeu sua razão de ser.
Atualmente as línguas indígenas estão classificadas em 02 troncos Tupi com 07 famílias linguísticas, estando inclusas entre estas, a famosa família tupi-guarani; Macro-jê com 05 famílias conhecidas, entre as quais a família linguística Jê.
Pela classificação linguística não estão incluídas nestes troncos: 03 famílias linguísticas maiores ( Aruák, Karib e Arawá ); 09 famílias linguísticas menores ( Guaikuru, Nambikwara, Txapakúpa, Páno, Múra, Katukina, tukáno, Makú e Yanomámi ), e cerca de 10 línguas isoladas que apresentam características únicas, não enquadrando-se nas classificações e famílias existentes, a exemplo da língua Tikúna falada por cerca de 28.000 pessoas no estado do Amazonas.
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1. Línguas e Tronco linguísticos: |
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- Grupo Indígena Juruna - língua Tupi - tronco linguístico Tupi - Grupo Indígena Kuruaya - língua Tupi - tronco linguístico Tupi - Grupo Indígena Xipaya - língua Tupi - tronco linguístico Tupi - Grupo Indígena Arara - língua Karib - tronco linguístico Karib - Grupo Indígena Araweté - língua Tupi - tronco linguístico Tupi - Grupo Indígena Assurini - língua Tupi - tronco linguístico Tupi - Grupo Indígena Parakanã - língua Tupi - tronco linguístico Tupi - Grupo Indígena Xikrin - língua Jê - tronco linguístico macro-jê. - Grupo Indígena Kararaô - língua Jê - tronco linguístico Macro-jê.
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2. Bilinguismo: Comentar sobre a possibilidade de comunicação em língua portuguesa com a população indígena . |
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Os grupos indígenas aldeados de Altamira, muito embora, em alguns casos, já registrem longo tempo de contato com nossa sociedade, encontram dificuldades para se expressarem na língua portuguesa, o que não tem sido impecilho para manter uma harmonia com as pessoas que entram em contato com os mesmos. Os contatos devem ser realizados com muita cautela, quando se tratar de debates com cunho técnico, tendo-se a precaução de usar a linguagem coloquial, evitando-se criar clima de dúvidas. |
A Etnologia, em seus estudos sobre o índio brasileiro, vale-se das classificações linguísticas, mas também daquelas de cunho mais nitidamente etnológico, como as divisões em áreas culturais. Uma área cultural é uma região que apresenta homogeneidade quanto a presença de certos costumes e de certos artefatos que a caracterizam.
A classificação que se apresenta, inclui tribos indígenas do Brasil do século XX, não abrangendo, assim índios como os Tupinambá, os Caeté, os Goitaká, sempre citados nos livros didáticos de História do Brasil, porque essas tribos foram exterminadas antes do início do nosso século.
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AREAS CULTURAIS |
GRUPOS INDÍGENAS |
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Norte-Amazônica |
Warikyana, Apalay, Makuxi, Taulipang, Waiãpi, Waiwai, Kulina, Waiká, etc |
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Juruá-Purus |
Apurinã, Paumari, Uamamadi, Kaxinawá, Katukina, Yamináwa, etc |
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Guaporé |
Txapakura, Tupari, Nambikwára |
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Tapajós-Madeira |
Munduruku, Mawé, Kayabiu, Kawahib, Arara, etc |
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Alto-Xingu |
Kalapálo, Bakairi, Kamayurá, Suyá, Txikão, Kreen-akarôre, etc |
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Tocantis-Xingu |
Bororo, Karajá, Parakanã, Kayapó, Xerene, Assurini, Krahô, etc |
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Pindaré-Gurupi |
Tembé, Urubu-kaapor, Guajajara, Guajá. |
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Paraguai |
Terena, Kadiwéu. |
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Paraná |
Kaiowá, Guarani, Nhandeva |
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Tietê-Uruguai |
Kaingang, Xetá, Xokléng |
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Nordeste |
Fulniô, Potiguára, Maxakali, Kariri, Pankararu, Xokó, etc |
No esforço pela sobrevivência, os grupos indígenas do Brasil contam com tecnologia bastante rudimentar para explorar os recursos naturais das áreas que habitam.
Além de caçar, pescar, coletar, plantar, criar animais, os índios também fabricam os instrumentos que servem para produzir, transportar, guardar ou conservar os alimentos: armas de caça, armadilhas, canoas, potes, cestos, etc. Graças a seu próprio trabalho é que os índios sobrevivem até hoje.
A CAÇA
Para os índios, a caça constitui-se em trabalho, já que não podem deixar de empreendê-la, para terem alimentos ricos em proteínas. Em todas as sociedades indígenas, a caça é atividade masculina e pode ser realizada individualmente ou em grupo.
Nem todos os grupos indígenas dão a mesma importância ao trabalho de caça; os índios do Alto-Xingu, por exemplo, se dedicam muito mais à pesca do que à caça; os Timbira dão grande importância à carne de caça e as caçadas coletivas são frequentes; os índios Mawé caçam individualmente.
As técnicas utilizadas na caçada variam de tribo para tribo e também de acordo com o animal procurado: caçam com ajuda de cachorros; obrigam o animal a sair da toca através do fogo, constróem abrigos no alto das árvores, nos locais frequentados pelos animais, onde o caçador os espera, sobretudo à noite; ateado fogo em círculo e deixando uma abertura para o a fuga dos animais, quando são abatidos, etc.
As atividades de caça obrigam os índios a conhecerem os hábitos dos animais, para melhor procurá-los. Desse modo, sabem se as espécies andam de dia ou de noite; de que frutas gostam; onde se escondem.
Depois que os índios passaram a Ter contato com os civilizados, suas técnicas de caça mudaram devido à intervenção de dois elementos importantes: as armas de fogo e o cão. Esses elementos trouxeram maior eficácia à atividade de caça, não só para comer, mas também para obter produtos comerciáveis: couros e penas.
A PESCA
A importância da pesca também varia de grupo para grupo e muitas são as técnicas usadas para obtenção de peixes. É comum o uso de vegetais que têm propriedade de maior de matar ou atordoar os peixes: o timbó ou tingui. A pesca com estes vegetais é sempre coletiva. Os peixes podem ser abatidos também com flechas de ponta de osso, a golpes de facão ou apanhados com a mão.
Há também armadilhas para a pesca, feitas com cestos cilíndricos; esteiras de talos, como uma cerca; cercado de varetas; jiraus construídos junto às pequenas quedas d água , etc. Atualmente é comum o uso de anzóis de metal, introduzidos pelo civilizado.
Em alguns grupos indígenas, o peixe pode se moqueado ( assado e defumado em fogo lento ); fazem também a farinha de peixe, socando o peixe moqueado no pilão, que depois é torrado no forno.
A COLETA
Consiste na procura de frutos, caules e reízes vegetais nativos, isto é, não cultivados.
Para alguns grupos indígenas que não conhecem a agricultura, a coleta é o único meio de encontrarem alimento vegetal. Pode-se incluir também nas atividades de coleta a procura de minúsculos animais, como gafanhotos, larvas, algumas espécies de formigas e de produtos de origem animal, como mel, ovos de tartaruga, etc.
A coleta não inclui só alimentos, mas também matéria-prima para feitura de produtos diversos: plantas medicinais ou com qualidades mágicas; canas para o fabrico de flechas; fibras para cordas; timbó para pesca; cal para pintura corporal; cera e resinas como adesivo, etc.
A AGRICULTURA
A maioria dos grupos indígenas do Brasil pratica a agricultura, que é feita em terras florestais. Para limpar o terreno necessário à lavoura, é preciso derrubar porções de floresta, durante o período da seca; quando os galhos e troncos caídos estão bem secos, ateam-lhe fogo e o terreno está pronto para a semeadura. O plantio é realizado com as primeiras chuvas. As plantas crescem mais ou menos misturadas, embora não tenham sido plantada na mesma ocasião. É a chamada agricultura de coivara, muito popular também entre os civilizados que vivem no interior do país.
Depois de um ou dois anos, o terreno cultivado já não produz o suficiente, obrigando os agricultores a derrubarem outra porção da floresta. Após algum tempo, esgotados os terrenos próximos, os índios são obrigados a migrarem para mais longe, derrubando outras porções da floresta.
Atualmente, a maior parte dos grupos indígenas do Brasil usa facões, machados e enxadas. Antes da introdução de ferramentas industrializadas, os índios usavam machados de pedra para a derrubada de vegetais. Para a semeadura, perfuravam o solo com paus pontudos, chamados bastão de cavar.
De modo geral, os grupos indígenas agricultores plantam várias qualidades de milho, mandioca, batata-doce, cará, inhame, abóbora, fava, pimenta, algodão, banana, ananás, cana-de-açúcar, tabaco, etc.
A CRIAÇÃO DE ANIMAIS
A criação de animais domésticos, para consumo de sua carne é comum entre vários grupos indígenas, após seu contato com o civilizado. Há grupos que criam galinhas, patos, porcos e até bovinos.
Mesmo antes do contato com o civilizado, os índios criavam animais, capturados ainda filhotes, como bichos de estimação, tais como araras, papagaios, macacos, pacas e grande variedade de pássaros.
O civilizado introduziu entre os índios o cachorro, que tornou-se indispensável par a caça e modificou as técnicas usadas por eles até então.
O Médico-Feiticeiro
As aldeias indígenas, de modo geral, abrigam um ou mais indivíduos encarregados da cura de doenças através de práticas mágicas- os médicos- feiticeiros.
Os feiticeiros aplicam seus poderes mágicos para curar doenças, mas também para provocá-las. Em muitas sociedades indígenas, é comum a atribuição de feitiço como causa de diversas doenças. Por isso, quando morre alguém, o fato é atribuído às ações de algum feiticeiro. O acusado de feitiçaria corre o risco de sofrer a vingança de parentes do morto e seu assassinato é comum.
Os processos de cura, a forma de entrar em contato com o sobrenatural variam de grupo para grupo. Existe determinada categoria de médico-feiticeiro com denominação: o xamã. Sua maior característica é poder gozar de um estado de êxtase, durante o qual sua alma se retira para longe do corpo, percorrendo lugares distantes ou encarnando espíritos estranhos.
Se as atribuições do xamã diferem de uma sociedade para outra, é possível que, numa mesma sociedade, haja mais de um conjunto de crenças xamanísticas.
b) O saber indígena
Embora grande parte dos vegetais e outros elementos usados como medicamentos não tenham efeito real, apenas mágico, nem todos os efeitos e práticas indígenas são irreais.
As tradições indígenas englobam uma série de conhecimentos técnicos, muitas vezes complexos, que produzem efeitos reais. Esses conhecimentos e práticas não estão presente somente no combate às doenças, mas também em outras atividades, tais como na caça ( venenos de caça ), na pesca ( venenos de pesca ), na ecologia, na astronomia, na guerra ( uso de gás asfixiante ), na tapiragem, na fabricação do sal, na fabricação de objetos de borracha ou de tecidos, etc.
Podemos conceber o como arte indígena, algumas produções artesanais geralmente destinadas ao uso prático e que tenham alcançado alto rigor formal e de beleza. Tais expressões de criatividade artística se revelam na música, pintura, dança e manufatura, elaborados com o esmero de quem entende o belo como uma espécie de equilíbrio entre as ações do homem e a benevolência do universo.
As relações dos índios com o meio geográfico em que habitam são importantes parâmetros para que se possa entender como eles vivem e se organizam em sociedade.. Desse modo, são reconhecidas duas modalidades de cultura indígena, caracterizadas pelos que vivem nas florestas e aqueles que vivem nas savanas ou nos cerrados.
Essa adaptação ao meio ambiente é refletida também nas criações artísticas, com os índios de florestas detendo um artesanato exuberante e diversificado, em função da quantidade maior de matéria-prima. Fazem cerâmicas, trançam cestos, tecem redes e panos, elaboram adornos plumários de rara beleza. Os campestres não possuem cerâmica ou tecido, revelando seu talento na confecção de esteiras, cestos e armas.
Todo o fabrico artesanal, incluindo as casas, instrumentos de trabalho, armadilhas para caça e pesca, e outros itens que receberam forma física a prtir do saber indígena, faz parte da cultura material de cada um dos quase 200 grupos tribais do Brasil.
O artesanato cumpre uma função cotidiana utilitária, formando um conjunto harmonioso de utensílios domésticos e instrumentais de trabalho, como os formões, as faquinhas de dentes e ossos de animais, os pequenos pincéis para ornamento, as canoas e armadilhas de caça e pesca. A cerâmica, que caracteriza as sociedades indígenas sedentárias, apresentam sistemas de arte gráfica de excelente valor estético e que expressam ordens sociais.
No interior das casas, as redes ou esteiras são destinadas ao descanso. Armadas nos paus de sustentação da maloca, transmitem ao visitante a sensação de aconchego. Suspensos ou colocados a um canto, os cestos, balaios, abanos, peneiras, ralos e espremedores de mandioca tornam mais fácil o preparo dos alimentos.
Nas cerimônias festivas ou religiosas, como os rituais de cura e fúnebres e as celebrações de ordem social como os nascimentos, fartura alimentar e homenagens a espíritos e heróis míticos, o mágico visual é obtido com a ostentação de ricos adornos plumários, como os cocares, cujo uso presume a hierarquia de quem os usa.
A arte do trançado encontra no homem indígena seu mais exímio elaborador. Todo o engenho artístico surge do manuseio habilidoso de mateiris extraídos de palmeiras como o buriti, a bacaba, o açaí, o curuá, o tucumã, o babaçu, etc, bem como o arumã, a taquarinha, a taquara, o cipó, como o imbé e o titica.
Pouco mais de 100 peças compõem o número de itens necessários à vida da maioria das tribos do país. A infinidade de adornos, objetos em madeira e toda uma variedade de materiais, formas e estilos, comprovam a existência dos diferentes povos indígenas. A natureza parece fonte inesgotável e incansável de inspiração às criações artísticas de homens e mulheres, que encontram na história de suas próprias existências, o orgulho de sua identidade.
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- Aspectos culturais e de
organização social:
- Grupo Indígena Xikrin
Compondo o grupo indígena com maior poder de mobilização sócio-política da região, em consequência de sua proximidade cultural com os Kayapó do Sul do Pará, possui uma organização interna bem articulada, observando-se o comando do grupo através de 04 lideranças e um grupo de conselheiros. A participação da mulher, embora não seja perceptível, é um fator determinante nas decisões do grupo. Entre os Xikrin, existe muito valorização dos aspectos culturais, sendo esta a principal força do grupo.
- Grupo Indígena Assurini
Como a maioria dos grupos indígenas do tronco tupi, os Assurini não possuem uma liderança específica ou definidas pela hereditariedade. As decisões são tomadas por um conselho tribal. Nessas sociedades, há um destaque especial para a figura do curandeiro ou pagé, que desempenha papel fundamental e importante dentro do grupo. Os Assurini desenvolve intensos rituais xamanísticos e possue ligações muito respeitosa com os espíritos. Os rituais exigem, em alguns casos, grande esforço físico dos participantes, principalmente do pagé, o que invariavelmente traz, complicações para o estado de saúde do grupo.
- Grupo Indígena Araweté
Detentores de uma cultura bastante rica, os araweté podem ser classificados como os índios mais simpáticos e gentis da região de Altamira. Sua população apresenta um dos maiores índices de natalidade entre os grupos assistidos. O misticismo é ponto articulador da vida do grupo. Como os assurini, possuem uma cultura material bastante variada e com acabamentos detalhados, tendo como destaque, a vestimenta típica usada pelas mulheres, consistindo de duas saias e uma blusa, tecidas em algodão e tingidas com urucum. Culturalmente, é o grupo com características de nomadismo mais marcantes entre os grupos assistidos pela FUNAI em Altamira.
- Grupos Indígenas Xipaya, Kuruaya e Juruna
O quadro apresentado por estes três grupos coincidem com a situação registrada durante o período forçado do contato com regionais, seringueiros, gateiros e outros propiciando, a descida destes grupos rumo à cidade de Altamira, onde se encontram, em sua maioria, hoje estabelecidos. Muitos continuam a trabalhar nas atividades de pesca, piloto de embarcações e garimpos. A desestruturação ètnica ocasionada por estes contatos, contribuiu demasiado para a perda de traços culturais fundamentais como perda da língua, de rituais e organização social. Muitos indígenas residem na cidade de Altamira vivendo em condições de vida subumanas, desempregados e em alguns casos como mão-de-obra barata, em virtude de não possuirem, em sua maioria, a escolaridade básica. Este quadro tem trazido situações constrangedoras na relação índio x FUNAI, em razão de uma política não definida para tais grupos não aldeados.
- Grupo Indígena Parakanã ( Apyterewa e Aldeia Xingu )
Os Parakanã vivem em duas aldeias à margem do rio Xingu, posição adotada pelo grupo após abandonar a antiga aldeia, no interior do igarapé Bom Jardim, onde já contavam com toda a estrutura necessária para uma vida sem maiores transtornos. Ali já haviam sido abertas grande quantidade de roças com culturas diversas, principalmente de mandioca. A FUNAI já mantinha uma estrutura bem acabada na aldeia, inclusive com pista de pouso, o que consequentemente ficou abandonada. O grupo decidiu abrir nova aldeia às margens do rio Xingu, e tempos depois, houve uma divisão do grupo, quando foi aberta uma nova aldeia (Aldeia Xingu) reafirmando uma situação desde os tempos do contato, quando viviam em dois grupos distintos, contatados em duas etapas. Estes índios possuem índole bastante guerreira e destemida, muito embora possua estatura de média a baixa. Sua cultura material é incipiente, destacando as flechas, feitas exclusivamente com pontas largas de taboca, próprias para abate de grandes animais. Tradicionalmente raspam todo o couro cabeludo, fator não mais observado nos dias de hoje, efeitos dos contatos frequentes com ribeirinhos e regulares visitas a cidade.
- Grupo Indígena Arara ( Cachoeira Seca e Laranjal )
Durante a década de 70, os Arara foram alvo de inúmeras matérias jornalísticas nacionais, em virtude de sua determinação em não permitir o contato com o homem branco. Tal evidência foi fortalecida em virtude do projeto de abertura da rodovia Transamazônica, que cortaria de leste a oeste, todo o território onde viviam estes índios, daí sua resistência ao contato. Os Arara, fazem parte da classificação linguística Karib, como o único grupo na região de Altamira pertencente a essa classificação. Não possuem uma liderança definida. Sua cultura material é incipiente, porém variada. Os rituais Arara são bastante fechados, pouco se sabendo a respeito. Guerreiros e destemidos no período de contato, os Arara hoje se mostra um povo dócil e calmo. Um fato que chama muito a atenção dos estudiosos e os que labutam com este grupo foi a incrível rapidez com que aprenderam a dominar a língua portuguesa.